Novos Ajustes nas Expectativas dos Juros e Crescimento em 2017-2018

Data: 24/01/2017

A ORDEM DOS ECONOMISTAS DO BRASIL AVALIA QUE AS SURPRESAS INFLACIONÁRIAS PODEM PROVOCAR NOVOS AJUSTES NAS EXPECTATIVAS DOS JUROS E DO CRESCIMENTO ECONÔMICO EM 2017-2018

 

Uma análise elaborada pelo Presidente da Ordem dos Economistas do Brasil e do Corecon-SP, Manuel Enriquez Garcia, e pela área de estudos de mercado e de pesquisa econômica com o Economista Eduardo Velho, que também é economista-Chefe da INVX Global, conclui que ainda existe espaço para ajustes nas previsões da taxa de juros do crescimento econômico no biênio 2017-2018.

 

Os investidores e analistas continuam ajustando suas previsões de inflação e de taxa de juros para baixo, de acordo com a última pesquisa de mercado pelo Bacen, em linha com a expectativa da Ordem dos Economistas do Brasil. De fato, a mediana do IPCA de 2017 recuou mais uma vez, de 4,83% para 4,71% ( e mantida em 4,5% para 2018) e considerando o critério Top Five de médio prazo, que agrega as estimativas das cinco instituições com maior grau de acerto, o indicador recuou de 4,54% para 4,45%, portanto, com uma inflação estimada um pouco abaixo da meta central.

 

“Avaliamos que a ancoragem das expectativas de inflação do mercado à meta central, tanto de 2017 como de 2018 , corrobora a melhoria significativa da comunicação e da previsibilidade da política monetária em relação à gestão anterior que vigorou entre 2011 à meados de 2016, período em que a taxa básica de juros foi reduzida para 7,25% mas sem ter registrado a ancoragem das projeções. O recuo da inflação tem sido consistente, o que abre espaço sustentável para a redução do patamar de juros nominal e também da taxa real de juros, refletindo também na margem, uma queda do grau de persistência inflacionária”, explica o Economista Manuel Enriquez Garcia, Presidente do Corecon-SP e da OEB.

 

As estimativas da semana passada ainda apontavam uma probabilidade majoritária no mercado no recuo do nível da taxa de juros Selic para um dígito até o final deste ano, registrando na última pesquisa Focus um novo recuo na mediana esperada de 9,75% para 9,5% e para dez-2018, de 9,5% para 9,38%. A Focus aponta a “escadinha” de queda de juros nas próximas reuniões do Copom, com dois cortes de 0,75 p.p, em fevereiro e em abril, mais três cortes de 0,5 p.p. entre maio e setembro e finalizando com dois cortes da Selic em 0,25 p.p. nas decisões do Copom de outubro e dezembro deste ano. Mantemos o nosso cenário de um recuo da Selic para 9,25% até dez-2017.

 

Segundo o Economista Eduardo Velho, “nas últimas semanas temos constatado que as medianas das expectativas de crescimento econômico se estabilizaram com taxas reais de 0,5% e 2,2% em 2017 e para 2018, respectivamente, portanto ainda inferior à projeção de 0,8% do Bacen para esse ano indicada no Relatório trimestral de Inflação (RTI) de dez-2016.  Entretanto, na medida que o aumento da confiança do segmento empresarial for consistente, e não configurar apenas uma alta pontual (como o índice da CNI de janeiro deste ano), devemos esperar o aumento do desembolso do investimento na economia brasileira nos próximos trimestres”.  

 

Os economistas avaliam que dois fatores serão relevantes para a obtenção de uma taxa de crescimento do PIB mais próximo de 1% em 2017, a continuidade da queda dos juros e a estabilidade cambial: (i) que as incertezas políticas domésticas não interrompam o avanço e a aprovação das reformas estruturais, sobretudo no segundo trimestre e (ii) no front externo, esperamos que os riscos da elevação dos gastos públicos acionados pelo governo Trump e a deterioração potencial do ambiente comercial e político com a China e Oriente Médio não provoquem um movimento excessivo de volatilidade no mercado internacional e uma revisão para cima (e acentuada) das expectativas de inflação, da taxa de câmbio e  na elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve. “De fato, até o momento, a Relatório Focus aponta uma mediana esperada para a taxa de câmbio de R$ 3,4/US$ e R$ 3,50/US$ para os finais de dez-2017 e dez-2018, respectivamente, portanto, um cenário com características de “estabilidade”.

 

Fonte e Elaboração : Ordem dos Economistas do Brasil (OEB




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